domingo, 8 de junho de 2008

MAL FALADA



Nunca me vi bem falada, pelo menos não me lembro se um dia já fui um exemplo de boa conduta. Não que seja uma depravada, longe disso, mas ser uma moça delicada, cheia de prendas, NUNCA!!!

Desde criança ouço pessoas questionando minha conduta. Quando tinha uns seis ou sete anos queria ser Chacrete. Não via nada de mal nisso, achava lindo ver aquelas mulheres enormes (do meu ponto de vista da época), dançando na televisão e queria dançar também. As mães das amiguinhas deviam ficar chocadas, e no mínimo deveriam acusar minha mãe, que nada tem a ver com minhas escolhas desde criança, de influenciar minha cabecinha.

Na escola sempre fui muito danada. Daquelas que os professores jamais esquecem. Há pouco tempo me encontrei com uma antiga professora de geografia que me perguntou se a criança que estava no carrinho do supermercado era minha filha. Com a resposta positiva veio uma tamancada na minha cabeça: “Tomara que ela seja igual ao que você foi e te deixe de cabelos em pé”. Não me lembro de ter sido tão má, mas pelo menos aquela mulher jamais vai me esquecer. Está aí uma vantagem de ser mal falada, você nunca cai no esquecimento como aquela menina que senta geralmente na primeira carteira da sala de aula. Ela pode até ter se tornado uma cirurgiã famosa, mas não é lembrada com tanta facilidade quanto você é.

Mas afinal, o que é uma moça mal falada? Segundo a voz do povo seria a garota fácil, permissiva, de maus modos. Moças casadoiras devem deleitar qualquer sinal de vontade de fazer ou falar o que der na telha.

O tempo passa, a sociedade adquire novos valores, mas em pleno século vinte e um ainda existe quem se ocupa em classificar mulheres em bem faladas e mal faladas. E pior, ainda existem mulheres que têm medo disso! Claro, o tempo trouxe muitas mudanças e conquistas para o sexo feminino, mas mal falada que tem espírito de mal falada, vai ser mal falada até se virar Presidente da República!

Existem as mal faladas por oposição, se bem que qualquer mulher que recebe um título desses, não o recebe por vontade própria, salvo algumas exceções. Essas são mal faladas por opção.

A verdade é que ninguém está a salvo da maldade alheia. A beleza, o sucesso, a espontaneidade são quesitos importantes para cutucar a inveja. E se todos esses ítens juntos ou avulsos, como queiram, se somados a mais um, a autoconfiança, aí sim, a mulher está perdida. Um passo em falso, fica mal falada.

A inveja realmente é um sentimento decisivo e, partindo de outra mulher então, é fatal. Eu diria que é um “ítem de série tipicamente feminino”, veja bem, tipicamente, não exclusivamente, visto que tem muito homem praticando a inveja melhor que muita mulher. Mulher que é mulher vive me um mundo de competições. Homens não tem a capacidade de “notar” certos quesitos em mulheres que são tão importantes, partindo da visão feminina, é claro.



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4 comentários:

Octávio Rossi disse...

Salve, salve Dri!
Ao ler seu texto, voltei ao passado, no tempo do mobral. Bons tempos aqueles viu!
Uma vez me falaram que os lembrados são aqueles que se destacam, ou como os melhores ou como os piores, os "mais ou menos" não tem vez.
Dentre os mais lembrados, sem sombra de dúvidas estão os piores, não no sentido da palavra. Os julgados como piores foram(e são) sempre os que estavam(estão) sempre inquietos, que não admitem certas coisas, que questionam, que sacaneiam os professores(que nenhum deles leia isso), enfim, aqueles que aproveitaram(aproveitam)a vida e assim, têm histórias pra contar. Lembro de uma professora de português que tentou me fazer comer uma redação. Se bobear ela deve saber até meu CPF.
Ja escrevi demais loira!
Aquele abraço e té mais. Nos vemos nos bares da vida.
Good vibes and good news!

Finito Carneiro disse...

Tem que ser igual a Selma, que é uma mulher bem falada.

;$ disse...

Acho que eu já li isso em algum lugar, :D

deise milhoranza disse...

Erga a cabeça e nem ligue de a volta por cima . EU já passei por isso fui vítima de muitas calúnias entrei. Em depressão e to aqui não esquenta a cabeça .